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Governo - Rede municipal tem déficit de pelo menos 100 médicos

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Conseguir atendimento em uma Unidade de Saúde de Natal no fim de semana não é fácil. O paciente deve contar com a sorte para que no posto próximo de casa o médico de plantão compareça. Para completar as escalas de plantão dos postos de saúde e policlínicas da cidade são necessários ao menos 100 médicos especialistas, segundo a secretária municipal de Saúde, Ana Tânia Sampaio.
 

Aiana Lúcia da Silva foi buscar atendimento nas Rocas, mas foi informada que a médica não estava

“O número deve ser maior, mas aguardamos o resultado do estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para saber quantos são realmente”, diz. Domingo passado (27), a reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou alguns postos da cidade e constatou o problema. Para um médico sair do plantão é obrigatória a presença do profissional que  vai substituí-lo na escala. Mas no Hospital dos Pescadores, Rocas, a médica da escala não havia chegado durante o momento que a reportagem visitou o local, pela manhã, e o anterior havia ido embora.

“Há pouco tivemos que encaminhar um senhor que chegou, para a Cidade da Esperança”, disse o recepcionista Heredelson Medeiros.  Logo depois, a estudante Aiana Lúcia da Silva, 20, chegou em busca de atendimento e foi informada que a médica do plantão não estava. Segundo o enfermeiro Luiz Filho, “é complicado porque a nossa demanda é mais paciente ambulatorial, mas o médico da escala prioriza urgência e os pacientes se aborrecem porque não são atendidos ou por serem encaminhados para outro posto”, disse.

“O meu caso não é de tanta urgência, mas imagina se chega alguém pior do que eu, o que vão fazer? Nem vão poder mandar para outro lugar porque o carro saiu com outro paciente. É uma discriminação o que fazem com a gente que é pobre”, disse Aiana.

Já na unidade de Mãe Luiza os funcionários reclamam ainda da falta de condições de trabalho e de descanso. A começar pela entrada do local, há um esgoto a céu aberto. O mofo toma conta das paredes das salas de repouso e, na cozinha, as quentinhas dos profissionais estão quebradas e sujas. “A gente só recebe uma refeição por plantão (12 horas)”, reclama uma funcionária do posto.

Na Unidade Mista da Cidade da Esperança a escala que deveria ter dois médicos, tinha apenas um.  Se o paciente for criança, os locais com médico de plantão no município é a Unidade Mista  Sandra Celeste, que conta com três pediatras por turno e que atendem uma média de mais de 100 crianças por dia. Pacientes de todos os bairros da cidade estão sendo encaminhados para lá. 

“Minha filha estava vomitando e até desmaiou, levei ela para o posto de Felipe Camarão, mas não tinha médico e a ambulância trouxe a gente para cá”, disse a dona de casa Thaís França Souza.

A secretária Ana Tânia admite que a Unidade de Mãe Luiza enfrenta problemas estruturais. “A reforma foi mal feita, na gestão anterior à minha, por isso ainda não pagamos o serviço. Problema parecido teve o Hospital de Mulher, que mal foi inaugurado e já está cheio de infiltrações. Queremos realizar um serviço sério, sem riscos à população”, comenta. 

Ela diz que por isso ainda não foi reaberto o atendimento de urgência em  Felipe Camarão. “Só quando tudo estiver concluído e avaliado pela equipe técnica da Secretaria”. Por enquanto o ambulatório do posto continua funcionando e a maternidade será reaberta em 30 dias. “O CRM já autorizou abrir a maternidade”.

Secretária anuncia punição aos faltosos

Ana Tânia explica que a SMS tem realizado todos os esforços necessários para completar as escalas de plantão no município, mas a gestão é limitada. “É preciso haver comprometimento também dos médicos. Quando eles fazem o concurso ou seleção para contrato temporário, os salários estão no edital, eles não são enganados”, pontua, e acrescenta que os “faltosos” serão convocados.

“Já nos reunimos e pedimos ajuda ao Conselho Regional de Medicina. Quem faltar três vezes será chamado para conversar e a lista de ausência será enviada todo mês ao CRM, para que o órgão tome uma atitude mais punitiva em relação à ética profissional”. Por outro lado, ela ressalta que não se pode generalizar o problema.

“Há muitas experiências positivas que merecem ser vistas, não há só o lado negativo. Elas puderam ser vistas na Mostra SUS. Um exemplo é o médico que permanece atendendo sozinho quando o colega falta”. Ana Tânia ressalta que seis novos médicos serão incorporados às escalas de outubro, e um novo edital de contratação será aberto esta semana. “Sabemos que o salário não é o mesmo da rede privada, mas é uma disputa desigual de valores”.

Para carga horária semanal de 20 horas o salário do município para médicos é de R$2 mil, sendo R$4 mil para 40 horas. Tânia ressalta que a meta da Secretaria é conseguir cumprir pelo menos 75% de assistência do Programa da Saúde da Família (PSF) , além de completar as escalas dos postos de saúde e policlínicas. “É melhor sair da rede do que faltar. O desconto no salário é irrisório mas prejudica o funcionamento”.

Escala  deve ser normalizada

Mesmo com a realização de um concurso público em outubro passado para a contratação de mais anestesistas para a rede estadual de saúde, a falta desses especialistas continua.  Somente em outubro a Secretaria de Saúde Pública do Estado (Sesap) deve normalizar a escala de anestesistas do Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes.

Hoje o Maria Alice conta com cinco anestesistas, e dois entrarão na escala do próximo mês. “Até então os médicos trabalham em plantões muito apertados, ninguém pode ficar doente, faltar ou tirar férias”, diz o secretário de Saúde estadual, George Antunes.

Ele rebate as declarações do presidente do Conselho Nacional de Saúde, Francisco Júnior, na edição de domingo (27) da TRIBUNA DO NORTE. Na entrevista, Francisco Júnior declara que a gestão do SUS foi entregue à rede privada, resultado da impunidade frente à má gestão.

Em determinado trecho Júnior afirma que mesmo havendo no Walfredo Gurgel profissionais disponíveis eles “não fazem a cirurgia com o argumento de que o WG não faz cirurgia eletiva. Onde é que está escrito isso? Por que o WG não faz também? Porque ficam esperando para mandar o paciente para uma clínica particular”.

O secretário da Sesap afirma que não existe má vontade por parte dos médicos, mas sim uma deficiência no sistema como um todo. “Falta estrutura na rede municipal para receber pacientes em pós-operatório. Só há porta de entrada no HWG, não há de saída. É preciso que o município ofereça mais leitos de internamento e desafogue o hospital”.

Questionado sobre o indicativo de greve dos médicos do Walfredo, ele diz que a ideia pode ser motivada por questões pessoais. “É muito conveniente que os médicos do Walfredo queiram permanecer lá, mas precisamos transferir cinco pediatras para o Gizelda Trigueiro, que vai abrir com 26 leitos de enfermaria”, diz ele e acrescenta que “na verdade o que há é a ampliação do serviço prestado à população”.

A política de redimensionamento da rede que foi iniciada em fevereiro avançou pouco na avaliação de George Antunes. “Mas reconheço que com a nova secretária municipal de saúde melhorou muito, porque há uma consciência do papel do estado e do município na saúde”.

 

FONTE TRIBUNA DO NORTE -

Link de acesso: http://tribunadonorte.com.br/noticia/rede-municipal-tem-deficit-de-pelo-menos-100-medicos/126633





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